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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

MIELOMA MÚLTIPO

 

É um tumor que tem origem nas células sanguíneas, nomeadamento nos linfócitos B (glúbulos brancos). Numa situação normal, estas células de defesa, quando expostas a substâncias estranhas ao organismo reagem diferenciando-se em plasmócitos, produtores de anticorpos (constituídos por imunoglobulinas). São por isso a base da defesa imunológica contra microorganismos, particularmente bacterianos.

No mieloma múltiplo há uma desregulação do controlo deste processo e ocorre uma proliferação excessiva de plasmócitos tumorais (malignos) com consequente produção excessiva de imunoglobulinas (proteínas M) por um mesmo grupo de células. 

Estas células vão invadir e acumular-se na medula óssea, garantindo a sua sobrevivência, proliferação e resistência à terapêutica. 

 

 

O mieloma múltiplo afecta mais homens do que mulheres e é mais frequente na população negra. Tem uma incidência de 4 em 100.000 pessoas e a idade média de diagnóstico é de 68 anos, aumentando a sua incidência com a idade. Representa 1% de todos os casos de cancro.

 

As principais manifestações clínicas desta patologia são:

- a dor óssea, desencadeada pelo movimento, é o sintoma mais frequente (70% doentes) e geralmente é referida na região dorsal ou nas costelas

- fracturas ósseas patológicas e osteoporose

 

 

- lesões de destruição óssea (osteolíticas) visíveis nas radiografias, como exemplificado nesta radiografia de crânio (lesões típicas em "saca-bocados")

 

 

- infecções bacterianas recorrentes - pneumonias, pielonefrite (infecção urinária alta)

- insuficiência renal, geralmente secundária a:

- hipercalcémia (excesso de cálcio em circulação)

- fadiga fácil / anemia

- alterações da sensibilidade, dor nevrálgica ou incontinência urinária/fecal (por colapso das vértebras e compressão consequente da medula espinhal)

 

- letargia e confusão

- cefaleias

- hemorragias

 

Existem vários tipos de mielomas/distúrbios dos plasmócitos, nomeadamente:

- gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI), bastante mais frequente (afecta 1% da população), não necessita de tratamento, embora em raros casos possa evoluir para MM (1%/ano)

- plasmocitoma ósseo solitário que consiste numa lesão osteolítica única sem aumento dos plasmócitos na medula óssea

- plasmocitoma extramedular que não afecta a medula, mas sim o tecido linfóide da nasofaringe ou seios paranasais

- mieloma assintomático ou latente, em que apesar das alterações analíticas e da presença de plasmocitose na medula óssea, o doente não tem ainda sintomas

- mieloma múltiplo sintomático (cursa com sintomas)

 

Além disso a proteína aumentada no mieloma também varia: IgG (53%), IgA (25%), IgD (1%), cadeias leves (20%). 

 

Para o diagnóstico, além do exame físico e laboratorial básico (que permite detectar a anemia, hipercalcémia ou insuficiência renal), tornam-se fundamentais radiografias ósseas (lesões osteolíticas), urina de 24 horas (proteínas Bence-Jones) electroforese e imunoelectroforese das proteínas (pico de proteína M), doseamento das imunoglobulinas séricas e biópsia de medula óssea (plasmocitose medular). 

A sobrevida média após o diagnóstico é de 5 a 6 anos. 

 

O tratamento pode passar pelo transplante autólogo de células estaminais (com células saudáveis do próprio doente) e, nesses casos, é precedido por quimioterapia em alta dose para reduzir o número de células e de colheita das células a transplantar.

Em doentes não candidados a transplante o tratamento recorre à quimioterapia com agentes mais agressivos e corticóides. A radioterapia também é útil no controlo da dor óssea e nos plasmocitomas ósseo solitário e extramedular, que respondem muito bem a esta abordagem.

 

Para mais informações sugiro os seguintes sites:

http://hemo-blog.blogspot.com/2010/05/mieloma-multiplo.html 

http://www.apcl.pt/PresentationLayer/ctexto_01.aspx?ctextoid=107&ctlocalid=9

 

publicado por Dreamfinder às 20:31

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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

LEUCEMIA

 

As leucemias são cancros das células sanguíneas que afectam, geralmente, os leucócitos (glóbulos brancos) e que têm, na sua maioria, causa desconhecida. Entre os factores de risco estão a exposição à radiação e a outras substâncias químicas e o uso de alguns medicamentos anticancerígenos. Indivíduos portadores de distúrbios genéticos também parecem apresentar uma probabilidade acrescida de desenvolver leucemia. É o caso dos doentes com trissomia 21 (síndrome de Down).

Os leucócitos têm origem nas células-tronco da medula óssea e vão passando por diferentes processos de diferenciação até originarem glóbulos brancos maduros e circulantes. Porém, quando existe uma deficiência no amadurecimento destes precursores podem induzir-se uma desregulada proliferação celular e consequentes alterações cancerígenas. Quando o número das células alteradas aumenta consideravelmente substitui os leucócitos sãos, colonizando toda a medula óssea. A partir daqui migram então, invadindo outros órgãos como o fígado, o baço, os gânglios linfáticos, os rins, o cérebro, ...

Os primeiros sintomas de leucemia são: fraqueza e cansaço, falta de ar, anemia (diminuição glóbulos vermelhos ou eritrócitos), infecção e febre (carência de linfócitos), hemorragia (falta de plaquetas), ...

O diagnóstico é confirmado através da contagem de células sanguíneas - eritrócitos e plaquetas sanguíneas diminuídos - e da observação microscópica do sangue periférico (aparecem os leucócitos imaturos). A biópsia de medula ósse é geralmente utilizada para determinar o tipo de leucemia.

Existem quatro tipos principais de leucemias, que variam consoante a sua velocidade de evolução (aguda/crónica) e os leucócitos afectados (linfocítica/mielocítica):

 

 

Leucemia Linfocítica Aguda (ou Linfoblástica):

- afecta os linfócitos (células B e T responsáveis pela imunidade adaptativa) e é de progressão rápida

- é o cancro mais frequente nas crianças

- potencialmente letal

- geralmente manifesta-se entre os 3 e 5 anos de idade (mas pode surgir em adolescentes e adultos)

- com a quimioterapia destroem-se as células malignas de forma a que a medula óssea volte a produzir as suas próprias células saudáveis

- em 90% dos casos o primeiro ciclo de quimioterapia leva à remissão da leucemia (controlo da doença)

- à medida que aumenta a idade do paciente, o seu prognóstico torna-se menos favorável

- o transplante de medula óssea é uma alternativa para os casos mais complicados, mas é necessário encontrar um dador compatível (tipo HLA)

 

Leucemia Mielóide Aguda (ou Mielocítica):

- afecta os mielócitos (precursores dos granulócitos - neutrófilos, basófilos e eosinófilos) e caracteriza-se por uma evolução rápida

- potencialmente letal

- afecta indivíduos de todas as idades, particularmente adultos

- a radiação e quimioterapia (contra outros cancros) aumenta a probabilidade de desenvolver este tipo de leucemia

- entre 50 e 80% dos pacientes responde positivamente ao tratamento

- o transplante de medula óssea aumenta as possibilidades de sucesso em 20 a 40%

- este tipo de leucemia responde menos a medicamentos do que os outros

- com o tratamento diminuem inicialmente os granulócitos e, assim, aumenta a susceptibilidade a infecções

 

Leucemia Linfocítica Crónica:

- de progressão lenta, afecta os linfócitos

- assintomática nos estágios iniciais

- caracteriza-se por um aumento dos gânglios linfáticos (aumento do número de linfócitos maduros cancerígenos)

- 3/4 dos portadores deste tipo de leucemia tem mais de 60 anos

- o sexo masculino é mais afectado

- ocorre hepatoesplenomegália (aumento do fígado e baço) por acumulação de linfócitos

- o sistema imunitário está muito fragilizado e podem surgir respostas auto-imunes (contra tecidos sãos do próprio corpo) - ex: artrite reumatóide

- dentro desta podem ainda existir tipos, consoante as células comprometidas: leucemia de células B (é a mais frequente), leucemia de células T, síndrome de Sézary, tricoleucemia

- entre os sintomas podem surgir ainda perda de peso e falta de apetite

- grande tendência à formação de hematomas

- nos estádios mais avançados tornam-se frequentes as infecções bacterianas, virais e micóticas

- maior propensão à contracção de outros cancros

- durante muitos anos a pessoa pode não necessitar de tratamento (devido à evolução lenta da doença e por estágios)

- a fase acelerada é denominada crise blástica

- tratamento: transfusões de sangue e/ou plaquetas, injecções de eritropoietina, antibióticos (infecções), radioterapia

 

Leucemia Mielóide Crónica:

- afecta os mielócitos e tem uma evolução lenta

- assintomática nas fases iniciais

- aumento dos granulócitos alterados

- afecta pessoas de todas as idades, sendo rara em crianças com menos de 10 anos

- encontram-se células alteradas, tanto maduras, como imaturas (ao contrário da leucemia aguda)

- substituição progressiva da medula óssea normal por tecido fibroso

- anemia, trombocitopénia (diminuição plaquetas), aumento da proporção de leucócitos imaturos (leucoblastos)

- aparecimento de cloromas (tumores de granulócitos de rápida reprodução) na pele, ossos, cérebro e gânglios linfáticos

- palidez, febre, hematomas, hemorragias

- 20 a 30% dos doentes morrem nos dois anos posteriores ao diagnóstico

- a fase acelerada ou crise blástica é frequentemente letal

- a única hipótese de recuperação total é o transplante de medula óssea (particularmente eficaz nos estágios mais precoces)

- também é recomendada a radioterapia do baço ou mesmo uma esplenectomia (remoção cirúrgica)

 

 

Por fim, fica a mensagem: Salve uma Vida! Torne-se dador de medula óssea num dos vários centros do CEDACE!

 

Prometo em breve dedicar um post à forma como esta inscrição pode ser feita e aos métodos através dos quais é feito este transplante, para desmistificar algumas ideias erradas e desfazer eventuais medos.

 

Para saber mais:

http://www.apll.org/ (Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas)

http://www.apcl.pt/ (Associação Portuguesa contra a Leucemia)

publicado por Dreamfinder às 20:50

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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

CANCRO DO COLO DO ÚTERO

 

Devo começar por pedir desculpa por tão prolongada ausência. Mas a época de exames foi longa e dura e só agora tive tempo para me dedicar a actualizar (finalmente!) este blog.

E pareceu-me boa ideia referir-me a este tema tão actual e de que toda a gente fala.

O cancro do colo do útero ou carcinoma cervical é o 2.º que mais afecta as mulheres, sendo particularmente comum entre as mais jovens. É, por isso, motivo de preocupação crescente e foco de muitas campanhas de prevenção. As mulheres entre os 35 e os 55 anos são consideradas um importante grupo de risco e, por isso, o principal alvo de muitas destas campanhas.

 

 

O cancro do colo do útero é causado pelo vírus do Papiloma Humano (HPV) sendo, por isso, as relações sexuais uma forma de transmissão. Apesar de cerca de 40% das pessoas sexualmente activas serem infectadas por diferentes variantes deste vírus, na maioria dos casos o sistema imunitário é capaz de combater de forma eficiente a infecção, sem que se manifestem sintomas e eliminando o vírus.

A maioria dos cancros uterinos atingem as células escamosas que revestam a porção exterior do colo interno do útero. Uma pequena percentagem pode afectar as células glandulares ou ambas. Este tipo de cancro dissemina-se rapidamente às várias partes do corpo, depois de alcançar os vasos sanguíneos que vascularizam o útero ou os linfáticos aqui presentes. Uma vez tendo sido criadas metástases, considera-se que o cancro é invasivo (maligno).

 

 

Entre os principais sintomas incluem-se as perdas entre as menstruações ou eventuais hemorragias após o acto sexual. Muitas vezes, a doença só se manifesta já num estágio avançado, o que traduz a importância de uma prevenção e diagnósticos precoces para assegurar um prognóstico mais favorável. A melhor prevenção é a realização do exame do papanicolau de forma regular, já que este permite detectar as fases inciais da doença (cerca de 90% de eficiência). O primeiro exame deve ser realizado quando a mulher inicia a sua actividade sexual ou aos 18 anos. Deve então ser realizado periodicamente de 2 em 2 ou de 3 em 3 anos.

Geralmente, quando encontrada alguma massa suspeita, é realizada uma biópsia para confirmação do diagnóstico.

Desde a infecção da pessoa pelo vírus, até aos estágios mais avançados decorrem geralmente vários anos.

Entre os factores que aumentam a probabilidade de desenvolver esta doença podem destacar-se um número elevado de gestações, o uso de contraceptivos orais, os hábitos tabágicos e a infecção por outras DST (doenças sexualmente transmissíveis).

Além disso, pensa-se que há uma relação entre a idade da primeira relação sexual e o número de parceiros e o risco de ser contagiado por este vírus. Quanto mais precoce essa idade e maior o número de parceiros, mais aumentada está a possibilidade de desenvolver este carcinoma.

 

 

O tratamento depende do estágio da invasão dos tecidos. Se estivermos numa situação de carcinoma in situ, ou seja, se este estiver restringido aos tecidos epiteliais, por vezes, basta apenas extrair parte do colo do útero. Quando a doença se encontra numa fase mais avançada (carcinoma invasivo), tendo já metastizado, é necessária uma histerectomia (remoção do útero), o que impossibilita a mulher de engravidar posteriormente. Este procedimento pode ser apenas parcial, total ou mesmo radical (além do útero são removidos outros anexos envolventes). A radioterapia também pode constituir uma opção terapêutica. Como consequência desta, os ovários perdem geralmente a função e podem surgir complicações na bexiga, recto e vagina. A quimioterapia é recorrente quando o cancro se propagou além da pélvis.

 

 

Numa altura em que tanto se fala da vacina do cancro do colo do útero é importante salvaguardar que a prevenção passa também pelo uso do preservativo e pelos exames de rastreio (para um diagnóstico precoce). A vacina é particularmente recomendada para as jovens entre os 9 e os 26 anos e vai fazer parte dos planos de vacinação.

publicado por Dreamfinder às 16:40

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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

APROVEITE PARA DEIXAR O VÍCIO

 

À beira de um novo ano e, simultaneamente, de uma nova lei - a Lei do Tabaco - aproveite para rever os malefícios do tabaco, aquela que é considerada a principal causa de morte evitável em todo o mundo pela Organização Mundial de Saúde:

 

- aumenta consideravelmente o risco de desenvolver cardiopatia isquémica e cancro do pulmão (principais doenças associadas à mortalidade derivada do tabagismo)

- desenvolvimento de aterosclerose

- doenças cerebro-vasculares (AVC)

- cancros (cavidade oral, laringe, faringe, esófago, pâncreas, bexiga, rins, colo do útero)

- doenças hormonais (menopausa precoce)

- osteoporose

- doenças respiratórias (bronquite crónica, enfisema, asma)

- doenças gastrointestinais (úlceras)

- diminuição da capacidade respiratória e do rendimento físico

 

 

O tabagismo é responsável por 90% das mortes por cancro do pulmão, 97% das mortes por cancro na laringe, 85% das por bronquite e enfisema, 25% das por doença cardíaca.

 

 

Os principais "venenos" que pode encontrar num cigarro são:

- a nicotina - droga psicoactiva, responsável pela dependência do fumador; actua ao nível do sistema nervoso central (SNC) e diminui a afluência sanguínea aos tecidos

- monóxido de carbono (CO) - diminui a oxigenação do sangue

- alcatrão - altamente cancerígeno

 

E ainda:

 

 

E agora aproveite o fim de 2007 e a nova lei do tabaco, reserve uma das 12 passas para um novo objectivo no novo ano, objectivo que contribuirá para que tenha muitas mais passagens de ano para festejar, diga NÃO ao vício do tabaco e sorria a uma VIDA SEM FUMO!

publicado por Dreamfinder às 14:21

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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

O CANCRO DO CÓLON E RECTO

Todos os dias somos confrontados com a enorme diversidade de cancros que atingem a população. Mas será que somos efectivamente alertados para os mais incidentes? Para aqueles que mais matam no nosso país? Provavelmente não.

O Cancro do Cólon e Recto é, certamente, um daqueles com o qual estamos menos familiarizados, já que não tem a mesma projecção que o cancro da mama ou o do pulmão, no que toca a divulgação pelos meios de comunicação. E, no entanto, é dos cancros com maior mortalidade e incidência em Portugal.

O Cancro do Cólon e Recto resulta de um espessamento anormal da parede interna do intestino grosso e geralmente desenvolve-se a partir de pequenos pólipos, inicialmente benignos, que vão crescendo até criarem metástases (situação em que estamos já perante um carcinoma).

O Cancro Colo-Rectal pode ser considerado uma doença da civilização, afectando particularmente os países mais desenvolvidos, facto que está relacionado com a dieta rica em gordura animal e pobre em fibras. Entre os factores de risco que aumentam a susceptibilidade a este tipo de cancro podemos salientar: a idade (com o aumento da idade, aumenta a incidência de CCR), a história familiar e pessoal de cancro, a existência de pólipos colo-rectais (que devem ser removidos, mesmo que sejam benignos), doenças genéticas (como o Carcinoma do Cólon Hereditário Não associado a Polipose – CCHNP – ou como a Polipose Adenomatosa Cólica Familiar - PACF), doenças que afectam o intestino como é o caso da Doença de Crohn ou da Colite Ulcerosa e ainda a alimentação (o consumo excessivo de gorduras animais e alimentos fumados e a pobreza em vegetais, fruta, fibras, cálcio, …), o excesso de peso, o sedentarismo e o tabagismo.

Nos últimos 30 anos tem-se verificado um aumento significativo da incidência deste tipo de cancro, que afecta mais os homens e que é diagnosticado sobretudo a partir dos 50 anos (cerca de 50% dos casos). Este cancro afecta sobretudo o recto, o cólon ascendente e o sigmóide.

Mais de metade dos casos quando diagnosticados, já não são curáveis, resultando na morte da pessoa afectada. Actualmente, o Cancro do Cólon e Recto é aquele que mais mata em Portugal, com uma média de 10 mortes/dia.

A prevenção tem de ser uma arma a utilizar contra estes números, para que se possa, por um lado, diminuir a incidência de CCR na população e, por outro, a mortalidade enquanto consequência de um diagnóstico tardio. É assim importante uma prevenção primária através da sensibilização das pessoas para esta realidade que é o Cancro do Cólon e Recto, informando-as destes números alarmantes e de que é possível prevenir, adoptando comportamentos e estilos de vida mais saudáveis. Entre as medidas a tomar revelam-se importantes a prática de exercício físico regular e sobretudo a adopção de uma alimentação adequada, hipo-lipídica, rica em fibras, fruta, vegetais, peixe e oligoelementos (como o cálcio, ácido fólico, selénio, vitaminas A, C, D e E). Também é significativo que as pessoas estejam alertadas para os sintomas do CCR, havendo assim uma maior vigilância individual para que não hesitem em caso de dúvida a procurar um especialista. O CCR pode provocar a alteração dos hábitos intestinais, diarreia, obstipação, sangue nas fezes, desconforto abdominal, perda de peso, cansaço, … Por fim, é ainda fundamental a sensibilização da população para a importância do diagnóstico precoce, que aumenta significativamente a taxa de sucesso dos tratamentos e, consequentemente, a estimulação da população para a prática de uma prevenção secundária.

A prevenção secundária é realizada em indivíduos assintomáticas que aparentemente não têm a doença, através do rastreio do CCR. Este rastreio pode ser feito através da PSO (pesquisa de sangue oculto nas fezes), SF (sigmoidoscopia flexível), colonoscopia (é o método de rastreio mais eficaz e completo), polipectomia, …

A prevenção terciária é levada a cabo em indivíduos que já contraíram a doença e consiste no tratamento da mesma. Consoante a fase da história natural da doença em que esta é diagnosticada, as características particulares do paciente (idade e outras patologias), escolhe-se o tipo de tratamento, que pode ter fins curativos ou paliativos.

Concluindo, o Cancro Colo-Rectal é um dos cancros mais incidente e que mais mata em Portugal. Logo, revela-se fundamental a divulgação desta realidade negativa e a instigação da população no sentido de tomar medidas preventivas e facilitar o diagnóstico precoce.

 

publicado por Dreamfinder às 20:12

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

PORTUGAL E O CANCRO DA PRÓSTATA

Em Portugal estima-se serem 130 mil os doentes do cancro da próstata e com uma média de 1800 mortes por ano. A Braquiterapia é um tipo de terapia que existe há 5 anos, sendo um tratamento pouco invasivo em que os médicos inserem sementes radioactivas no doente para eliminar células cancerosas, agora beneficia de um aperfeiçoamento em que a nova técnica cirúrgica leva o tratamento a incidir só sobre o tumor e o torna mais eficaz, e permite que se poupe as células sãs do organismo. Esta técnica como pouco invasiva que é, torna-se menos dolorosa, com menos complicações secundárias e clínicas, e preserva melhor a vida sexual do doente, enquanto a cirurgia pode causar impotência.

Tem 3 diferenças em relação há Braquiterapia que se costuma fazer:

1º- as sementes radioactivas passam a estar interligadas entre si e não separadas, com um elemento que se biodegrada ao fim de seis meses e não ao fim de quatro semanas como era costume.

2º- uma maior flexibilidade na colocação, permitindo ao médico escolher melhor.

3º- as sementes são impedidas de se deslocarem para outros órgãos.

A migração de algumas sementes radioactivas (uma ou duas das 80 colocadas pelos médicos) pode ocorrer tendo como motivo a proximidade da corrente sanguínea, o que reduz a eficácia do tratamento, com esta técnica as sementes são colocadas de modo a ficarem exclusivamente em cima do tumor, de modo a destruir as células cancerosas unicamente, sem afectar as células sãs do organismo. Além desta técnica, existe a cirurgia, radioterapia e outros tratamentos também recentes com ultra-sons de alta intensidade (HIFU) e através do frio, a chamada criocirurgia.

Cerca de 10% dos doentes sobrevive uma década ou mais depois do diagnóstico, mas como é uma doença com poucos sintomas, outros 10% morre seis meses depois. Deste modo conclui-se como é importante o rastreio, aconselha-se os homens a partir dos 50 anos a fazer uma análise (PSA) para a detecção precoce do cancro da próstata.

 

publicado por Dreamfinder às 22:13

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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

UMA LUTA PARA ACREDITAR

Na visita à Associação “Acreditar” percebi que se a ideia que surgiu em 1993, de criar aquela instituição era boa, a sua concretização foi melhor ainda.

É importantíssimo o trabalho de apoio aos pais e crianças com cancro.

É importante o apoio psicológico, a informação, eventualmente o apoio domiciliário e monetário, que esta instituição dá a esses pais no momento em que se sentem mais desamparados.

Como é que os pais recebem a notícia de que um filho tem cancro?

Como é que isso se explica a uma criança?

Os responsáveis e os restantes voluntários intervêm de uma forma excepcional junto dessas pessoas, no IPO, que fica mesmo em frente à Acreditar.

Mas nesta visita tocou-me particularmente a importância da imagem do médico perante esta situação.

Como é que um médico diz a um pai ou a uma mãe que o filho tem cancro?

Não pode simplesmente dizê-lo, tem de dizer cada palavra com cuidado e não com a indiferença de quem está acostumado a dar más noticias. Porque o médico pode estar habituado a dá-las, mas aqueles pais não estão certamente preparados para recebê-las. Os pais não precisam de um médico que apenas evidencie indiferença, uma indiferença que esconde o “medo” de se envolver, o medo de perguntas difíceis, o medo de que o olhem nos olhos, o medo de sofrer… A carreira médica é envolvente por si só. Quem aceita o desafio não pode ter medo de se envolver emocionalmente. Deve ser humanamente médico e, para isso, arriscar. É isso o mais importante e, claro, deixar-se envolver sem ser demasiado susceptível, porque tem de estar sempre preparado para o pior, mas não pode esconder os sentimentos. Os pais têm de sentir que podem confiar no médico, no momento em que o seu mundo ruiu, precisam de certezas, alicerces, de um médico que aos poucos lhes explique os procedimentos a tomar e se mostre disponível.

E a criança?

Precisa de não ter medo daquele homem ou mulher de bata branca que diz qualquer coisa estranha que leva a sua mãe a ter os olhos repletos de lágrimas e o pai a levar as mãos à cabeça em sinal de desespero. Precisa que o médico se mostre amigo e lhe tente explicar, de uma forma recheada de muitos eufemismos (própria da idade), o que se passa com ela.

Um dia roubaram-lhe os sonhos. E é importante fazê-la “Acreditar”.

 

Nas visitas que fiz às duas instituições tão diferentes e tão iguais: os opostos na sociedade, as crianças e os idosos, e a igualdade no apoio, no reconforto, no envolvimento, na amizade.

Estas revestiram-se de um carácter fundamental para a carreira do médico/a sensibilizando-me para o aspecto humano da Medicina. Revelaram-se também essenciais para a compreensão da complexidade do ser humano e para a compreensão da diversidade de factores que determinam certos comportamentos.

E há duas lições fundamentais que retirei delas, além da necessidade de humanização da Medicina.

Primeiro, que como futura médica não posso nunca ser indiferente, e relembro as palavras do Dr. J. Fernandes e Fernandes, na recepção aos alunos do 1º ano: “ Por favor, nunca sejam indiferentes. É a pior coisa que existe - a indiferença, é como um cancro que corrói a sociedade. Nunca o sejam.”

E, por outro lado, a importância da esperança. A esperança que temos que procurar sempre dar aos nossos futuros pacientes. Fazê-los Acreditar sempre.

“A esperança seria a maior das forças humanas,

se não existisse o desespero.”

Victor Hugo

publicado por Dreamfinder às 15:32

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